arquivo público, 2022
mariana feitosa
onde esse corpo cabe?
onde cabe o corpo que não cabe? onde cabe o corpo que não quer caber? o que acontece com o corpo que tenta caber? como caber no espaço público? qual o espaço do corpo feminino?
este trabalho nasceu do encontro com as artistas bill or, lídia abreu, pietra garcia, romy huber e sarah uriarte, dentro do projeto arquivo público. partindo de pensamentos acerca de corpo, presença artística feminina, apagamento histórico de presenças femininas em itajaí, relações entre público e privado, voltei-me ao meu corpo. onde cabe, na minha realidade, o meu corpo de artista negra clara, gorda, jovem e sem sobrenome clássico?
eu, uma artista do pensar, parti para investigar as leituras capazes a partir do agir. caber literalmente, para tentar caber no sentido figurado. sem sucesso.
aqui o meu corpo de mulher é o dispositivo para uma tentativa de pensar os lugares em que o corpo feminino não está no âmbito público, não quer estar no âmbito privado e não consegue estar no âmbito social. meu corpo tentando caber ou tentando existir deveria ser fotografado sem que nada do espaço a sua volta fosse alterado. existir no espaço como ele é.
o corpo (meu corpo) se espreme, se estica, se molda, se arranha, se machuca, para tentar caber onde claramente não cabe. ao permanecer onde não cabe o corpo dói, o corpo marca, o corpo suja, o corpo grita (mudo).
por que tentar caber onde não se cabe? o que resta se não mais tentar caber?
estas fotos foram feitas em minha casa, no espaço cultural vila sete zero cinco - casa da de arte e no arquivo histórico de itajaí, sediado na histórica casa lins.
fotos feitas por mim, mariana feitosa, e pela artista romy huber.






























mariana feitosa é atriz, produtora cultural, arte-educadora e jornalista com especialização em comunicação cultural. cursa pós-graduação em arte, cultura e educação pela unicesumar. iniciou sua carreira em 2010 e trabalha atualmente como atriz independente. está em cartaz atualmente com os espetáculos “cor de quê”, trabalho de narrativa de histórias para a infância, estreado em 2021, e “como esse corpo cai”, solo com dramaturgia autoral para o público adulto, estreado em 2022 com direção de renato turnes. pesquisa ainda a noção de performance no teatro relacionando-a com as noções das artes visuais, o que tem norteado seus novos trabalhos em produção.
︎︎︎